Passo Fundo e a Segunda Guerra Mundial: história, memórias e repercussões

Alex Antônio Vanin

Diretor de Publicações do IHPF

Os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) continuam a chocar e a mobilizar a curiosidade em todo o mundo. Mais do que batalhas travadas na Europa e na Ásia, no Atlântico ou no Pacífico, o conflito global afetou diretamente milhões de pessoas em todos os continentes e transformou realidades locais, incluindo a de cidades distantes dos fronts, como Passo Fundo.

O Brasil entrou oficialmente na guerra em agosto de 1942, após ataques de submarinos alemães e italianos a navios brasileiros, que resultaram no afundamento de 25 embarcações mercantes e em centenas de mortes. A partir desse momento, a participação do país se deu tanto em terra, quanto nos céus e nos mares. A partir daquele momento, o Brasil mobilizou a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira (FAB), em conjunto com a aviação norte-americana, garantindo a escolta de cerca de 600 comboios e a proteção de mais de 3.000 navios mercantes, além da luta antissubmarino, que resultou no afundamento de três submarinos alemães e na captura de suas tripulações. Antes mesmo do envio de tropas à Itália, o Brasil já estava inserido nos esforços de guerra, viabilizando bases estratégicas instaladas em cidades como Natal, Recife e Salvador formaram o chamado “Trampolim da Vitória”, ponto de partida de aeronaves e suprimentos rumo à Europa e à África.

Pracinhas brasileiros na Itália, vendo-se, dentre eles, o passo-fundense Arnaldo Cesar de Almeida. Acervo Insituto Histórico de Passo Fundo.

Cabe dizer que vários passo-fundenses integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que foi enviada para combater o nazifascismo na Europa. Participando da Campanha da Itália, enfrentaram desafios e situações extremas, entre 1944 e 1945. O lema “A Cobra Vai Fumar!”, símbolo de coragem e determinação dos combatentes, surgiu como resposta irônica à descrença popular sobre o envio de tropas brasileiras à guerra. Após 239 dias de combate em terras estrangeiras, o soldado brasileiro desfilou junto aos demais Aliados em comemoração à vitória sobre as forças do Eixo.

Em setembro de 2025, na data em que se completaram 80 anos do desembarque dos últimos pracinhas brasileiros na Campanha da Itália, o IHPF inaugurou a maior e mais complexa exposição de sua história: “Passo Fundo e a Segunda Guerra Mundial”. A mostra devolveu ao público uma narrativa local dentro de um dos maiores eventos do século XX, revelando rostos, silêncios e experiências da comunidade, com acervos de diferentes instituições, itens de mais de 10 famílias de soldados e peças de colecionadores. Em 32 dias, a exposição recebeu mais de 1.200 visitantes, em uma média de 37 pessoas por dia, mostrando que há espaço para a história no cotidiano da população e que a memória local é capaz de dialogar com acontecimentos globais. Mais do que narrar batalhas, a participação de Passo Fundo na guerra também está registrada em acervos particulares: cartas, fotografias, objetos e jornais que revelam a experiência dos soldados e o impacto do conflito na cidade. 

Último remanescente da 2ª Guerra Mundial, Pracinha José Negri, hoje residente em Camargo, visitou a exposição em Passo Fundo. Fotografia Diogo Zanatta.

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