A trajetória do Instituto Histórico de Passo Fundo pode ser compreendida em três grandes fases, marcadas por diferentes contextos, prioridades e formas de atuação institucional.
Fundado em 15 de abril de 1954, por iniciativa do escritor e jornalista Jorge Edethe Cafruni, o Instituto Histórico de Passo Fundo surgiu diretamente vinculado aos preparativos para o primeiro centenário de emancipação do município, celebrado em 1957. Sua criação respondia à necessidade de reunir informações históricas, organizar documentação e subsidiar, em bases mais consistentes, as comemorações cívicas daquele marco.

Membros da Academia Passo-Fundense de Letras e o molde do Busto de Fagundes dos Reis. Foto Moderna/ Deoclides Czamanski (1961). Arquivo pessoal Gomercindo dos Reis/Acervo IHPF.
Nesse contexto, o Instituto estruturou comissões especializadas, organizou seu quadro associativo e iniciou um amplo trabalho de levantamento documental e produção de estudos sobre a história local e regional. Mais do que apoiar as festividades do centenário, o IHPF buscou estabelecer fundamentos permanentes para a pesquisa histórica em Passo Fundo, constituindo seus primeiros acervos e afirmando-se como espaço de salvaguarda da memória.
Essa primeira fase corresponde, portanto, ao momento fundacional do Instituto e à sua atuação vinculada ao projeto comemorativo do centenário, que deu origem às bases institucionais e documentais da entidade.
Encerradas as comemorações do centenário, o Instituto ingressou em uma nova etapa voltada à continuidade dos trabalhos históricos e à consolidação de sua função intelectual e consultiva. Nesse período, destacou-se a produção de estudos, pareceres e manifestações sobre temas relacionados à história local, ao patrimônio e à memória pública, reafirmando o papel do IHPF como instância de referência em assuntos históricos.
Essa trajetória foi marcada também por interrupções e reativações. Momentos importantes de reorganização ocorreram em 1970 e em 1982, quando associados remanescentes e novos integrantes, entre eles Pedro Ari Veríssimo da Fonseca e Antônio Donin, buscaram reestruturar o sodalício, reformar estatutos, recompor diretorias e preservar o acervo reunido desde os anos iniciais.
Mesmo atravessando períodos de fragilidade institucional, essa longa fase foi fundamental para assegurar a permanência do Instituto, a preservação de seu patrimônio documental e a continuidade de sua presença no cenário cultural e intelectual de Passo Fundo.
Em 2007, ano do sesquicentenário de Passo Fundo, iniciou-se uma nova fase na história do Instituto Histórico de Passo Fundo, marcada por sua reestruturação e reabertura institucional, conduzida por Pedro Ari Veríssimo da Fonseca.
A partir desse momento, o Instituto ampliou seu quadro associativo, reorganizou suas atividades e fortaleceu parcerias institucionais, inaugurando um ciclo de renovação. Entre os marcos desse período estão a salvaguarda do acervo junto ao Arquivo Histórico Regional e a retomada de uma presença pública mais ativa na vida cultural da cidade.

Sessão especial do Instituto Histórico de Passo Fundo, realizada em 29 de agosto de 2007, nas dependências da Academia Passo Fundense de Letras para entrega da documentação digitalizada do IHPF. Identificados, da esquerda para a direita: Ruy Salles Pitthan, Pedro Ari Veríssimo da Fonseca (presidente do IHPF), Santina Rodrigues Dal Paz (presidente APLetras), Eduardo Svartmann (coordenador do Arquivo Histórico Regional/PPGH) e Carlos Antônio Madalosso.
A partir de 2013, sob a presidência de Fernando Borgmann Severo de Miranda, esse processo ganhou novo impulso, especialmente com os esforços voltados à consolidação de uma sede própria para a instituição. Por iniciativa e apoio do casal Carlos Antônio Madalosso e Celina Madalosso, foi viabilizada a construção do edifício que passou a abrigar o Instituto, inaugurado em 15 de abril de 2017, quando o IHPF completou 63 anos de existência.
Com a nova sede, integrada ao Espaço Cultural Roseli Doleski Pretto, o Instituto ampliou suas condições de preservação, atendimento ao público e desenvolvimento de atividades. Nessa fase, intensificaram-se projetos de pesquisa e difusão cultural, como o Museu a Céu Aberto, publicações, exposições, ações educativas e iniciativas de articulação regional, consolidando o IHPF como referência na preservação e promoção do patrimônio histórico.

Registro da inauguração da Sede Dr. Carlos e Celina Madalosso, no momento do descerramento da placa de identificação, vendo-se Celina Scussel Madalosso, Luciano Azevedo (prefeito municipal), Carlos Antônio Madalosso e Fernando Miranda.
Essa fase permanece em desenvolvimento e tem continuidade na gestão atual, sob a presidência de Djiovan Carvalho, marcada pelo fortalecimento das ações de preservação, comunicação institucional, projetos de difusão histórica, exposições, publicações e iniciativas de aproximação com a comunidade. Em diálogo com o legado construído desde 1954, o Instituto segue ampliando sua atuação como espaço de pesquisa, salvaguarda e promoção do patrimônio histórico.
PodCafé no ar: IHPF celebra 72 anos em entrevista ao Café Expresso
A jornalista Zulmara Colussi conversou com Djiovan Carvalho, presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, em episódio do PodCafé, podcast oficial do Café Expresso. A entrevista aborda os 72 anos de existência do Instituto, completados em abril de 2026, além de temas relacionados à memória, patrimônio e à atuação da entidade.
